13 novembro 2006

Metade das universidades sem dinheiro para pagar salários em 2007


As verbas destinadas às instituições de ensino superior no Orçamento de Estado de 2007 não chegam para pagar os salários em metade das 14 universidades e cinco dos 15 institutos politécnicos públicos.

O "Jornal de Negócios" compara as verbas que o Governo pretende transferir para universidades e politécnicos em 2007 e as previsões de gastos com remunerações certas e permanentes em 2006 e conclui que há muitos salários que ficariam por pagar.

O Instituto Politécnico de Tomar é a instituição mais penalizada já que vai receber do OE 2007 menos 11,8 por cento (cerca de 1,2 milhões de euros) do que gasta em salários. Segue-se a Universidade do Algarve com menos 10,1 por cento (3,6 milhões de euros) e a dos Açores com um défice de 9,1 por cento (1,5 milhões de euros) .

As universidades de Aveiro, Évora, Minho, Trás-os-Montes e o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) completam o leque de estabelecimentos universitários com maiores perdas de dinheiro, refere o jornal.

Segundo o presidente do Conselho de Reitores, José Lopes da Silva, citado pelo "Negócios", estes dados "pecam por defeito" uma vez que não contemplam os aumentos salariais de 1,5 por cento previstos para 2007 e os descontos de 7,5 por cento que as escolas vão começar a fazer para a Caixa Geral de Aposentações.

Opinião partilhada por João Cunha Serra, coordenador do departamento de Ensino Superior da Federação Nacional de Professores (Fenprof), que garante ao diário que "a maioria das instituições não vai receber verbas suficientes para fazer face às despesas com pessoal durante 2007".

O "Jornal de Notícias", que hoje também destaca o tema citando o presidente do Conselho de Reitores, refere que as universidades vão receber este ano menos 53 milhões de euros do Orçamento de Estado 2007 e que a verba transferida (668,8 milhões de euros) não dá para pagar aos actuais professores.

De acordo com o JN, esta verba também não é suficiente para contratar professores para preencher os quadros, actualmente nos 64 por cento de ocupação.

Notícia retirada do jornal Público

07 novembro 2006

«A confusão [do Processo] de Bolonha» por João Cardoso Rosas, professor de teoria política na Universidade do Minho

O próprio [Pedro Lourtie] presidente do grupo dinamizador do processo de Bolonha [em Portugal] nunca foi recebido pelo ministro responsável.
O chamado processo de Bolonha é uma imposição burocrática que visa tornar compatíveis entre si os sistemas de Ensino Superior dos Estados europeus e permitir – alegam os Governos – a mobilidade académica e profissional. Mas este processo [de Bolonha] é inútil. Como sabem todos aqueles que estão dentro do Ensino Superior, o facto de não existir até agora essa compatibilização [europeia] dos sistemas [de Ensino Superior] nunca impediu os interessados de tirar cursos de graduação ou pós-graduação noutros países, de dar aulas nesses países, de ter projectos de investigação internacionais, etc. Também não é a falta de compatibilidade dos sistemas [de Ensino Superior na Europa] que impede os interessados de encontrar trabalho no estrangeiro. Os obstáculos à mobilidade sempre foram os [problemas] do desconhecimento da língua e das características próprias dos outros países e, sobretudo, a preferência que os países dão aos seus nacionais no acesso à educação e ao trabalho. Nada disso mudará com [o processo de] Bolonha.

Apesar da óbvia inutilidade do processo [de Bolonha], ele tem ocupado os dias (as semanas, os meses...) dos universitários. Em vez de se dedicarem a investigar e a ensinar, os professores universitários por esse país fora – incluindo eu próprio – têm passado o tempo em reuniões tão prolongadas quanto inúteis para ajustar as licenciaturas e os mestrados oferecidos pelas suas Universidades aos requisitos [do processo] de Bolonha. Um dos requisitos tem a ver com a duração dos graus. A maior parte das formações terá de optar entre dois modelos alternativos: 3+2 anos, ou 4+1 (ou 1,5), correspondendo o primeiro algarismo de cada soma à licenciatura e o outro ao mestrado.

Uma vez que o próprio processo de Bolonha é imposto e não opcional, esperava-se uma definição destas durações pela tutela. Mas, como veio a público este fim de semana, o próprio presidente do grupo dinamizador do processo nunca foi recebido pelo ministro responsável e até desconhece se a sua nomeação para o cargo é oficial. No meio deste caos, as Universidades têm estado a trabalhar na reestruturação dos cursos em função dos dois modelos. Numa semana consta que vencerá um deles, na semana seguinte diz-se que é o outro que vingará. Numa área prefere-se o primeiro, noutra escolhe-se o segundo. Numa Universidade opta-se por um modelo, na outra elege-se o modelo alternativo.

A partir do próximo ano teremos, por exemplo, a Universidade de Lisboa a oferecer licenciaturas de três anos, nominalmente iguais às que na Universidade do Porto são de quatro anos. Se um estudante for de Lisboa para o Porto com uma licenciatura de três anos será admitido num mestrado ao qual concorrem licenciados de quatro anos? Nos mestrados colocam-se problemas idênticos. Um estudante que fez um mestrado de um ano e meio no Porto terá equivalência a esse grau numa universidade de Lisboa em que ele dura pelo menos dois anos (por exemplo para seguir para doutoramento)? É claro que se poderia ultrapassar formalmente estes problemas com o sistema de créditos. Bastaria atribuir em três anos os mesmos créditos que outros fazem em quatro. Mas, nesse caso, tal sistema configuraria uma fraude uma vez que, por muitas voltas que se dê, 3 anos de frequência universitária nunca serão o mesmo que 4 e 2 [anos] nunca serão o mesmo do que 1 [ano]. A situação é curiosa: um processo [de Bolonha] que visava tornar compatível o nosso sistema [de Ensino Superior] com o exterior pode acabar por criar incompatibilidades a nível interno.

Para além de todo este imbróglio, coloca-se a questão de saber qual a duração dos graus mais adequada para o nosso país. Parece-me óbvio que é o 4+1 (ou 1,5). Por um lado, os nossos mestrados são demasiado longos e pesados em relação à prática internacional e isso, efectivamente, penaliza os estudantes portugueses. Faria sentido encurtar os mestrados para um ano ou um ano e meio. Por outro lado, as licenciaturas de quatro anos estão adequadas ao facto de o ensino básico e secundário entre nós ser de 12 anos. Nos países que têm licenciaturas ou graus equivalentes de três anos os estudantes têm um percurso prévio de 13 anos. Se nós passarmos a ter licenciaturas de três anos estaremos a formar os graduados menos qualificados do espaço europeu.
______________
João Cardoso Rosas é professor universitário de Teoria Política na Universidade do Minho e publicou o presente artigo de opinião («A confusão de Bolonha») no «Diário Económico», a 20 de Dezembro de 2005.

02 novembro 2006

Movimento AGIR critica Orçamento de Estado 2007

O movimento de estudantes da Universidade do Minho (UM) AGIR condenou, em comunicado divulgado hoje, os cortes no financiamento do Ensino Superior previstos pela proposta de Orçamento de Estado para 2007.
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Aquele movimento de estudantes, que tem vindo a tomar posições públicas de discórdia em relação aos moldes de introdução do processo de Bolonha na universidade minhota, acusa o governo de utilizar a reforma europeia do Ensino Superior como argumento “para cortar no financiamento do ensino superior”.
“Temos prevenido para a existência de uma agenda oculta [no processo de Bolonha]”, sublinha Adriano Campos, estudante de Sociologia, que acusa o governo português de “querer vender” aos alunos “o mito da mobilidade europeia”, quando na realidade “o que existe são cada vez mais cortes no Ensino Superior”. “Esta nossa visão veio a ser comprovadas com a proposta de Orçamento de Estado para 2007”, assegura.
Os estudantes do AGIR alertam ainda para as consequências que os cortes orçamentais podem ter no dia-a-dia das universidades: “As escolas correm o risco de não ter condições paras pagar a docentes e funcionários”.
“Há mais de um ano que o AGIR vem alertando a comunidade académica para as consequências de Bolonha”, destaca Adriano Campos, um dos activistas do AGIR, em declarações ao ComUM. Adverte também que o aumento de carga horária que Bolonha prevê torna-se “impossível para os trabalhadores-estudantes frequentaram a universidade”.
Por outro lado, o movimento AGIR acusa o governo de promover “uma elitização do ensino” com Bolonha, ao mesmo tempo que se “desacredita o Estado” como formador: “Os alunos que saiam apenas com o primeiro ciclo não terão as mesmas competências e isso vai criar insegurança e precariedade no trabalho”, enfatiza Pedro Machado, estudante de Matemática e Ciência da Computação.


Notícia retirada do portal ComUM Online, projecto jornalístico do Grupo dos Alunos de Comunicação Social da Universidade do Minho.

"Primeiro implementa-se, depois é que se discute" Seminário Nacional sobre o Processo de Bolonha - Dia 25 de Outubro na Universidade do Minho

No dia 25 de Outubro, realizou-se na Universidade do Minho, o «Seminário Nacional sobre o Processo de Bolonha», organizado pela Associação Académica da Universidade do Minho. Um exercício de pseudo-democracia para dar entender que "Bolonha" até está a ser discutido. Primeiro implementa-se, depois é que se discute. Estava prevista a presença do Ministro [da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior] Mariano Gago, que no entanto não apareceu, um sinal da própria vontade dos governantes em acompanharem "in loco" o processo de transição provocado por "Bolonha".
Sumária e sinteticamente todos os convidados presentes [no Seminário] concordaram que "[o processo de] Bolonha" é uma decisão das estruturas económico-políticas e que tudo o que se pensava que tal reestruturação viria a trazer de bom [para o Ensino Superior], é pura ilusão. "È uma oportunidade perdida" clama[ra]m em uníssono os ilustres oradores [no Seminário]. No entanto, ninguém declama um pensamento de retrocesso - não houve [uma única] voz que disse-se: "É preciso travar [o Processo de] Bolonha!". Pelo contrário, a ideia que prevaleceu, insistiu na retórica de que "se vai apenas tentar minimizar [os] estragos provocados pela implementação [do processo] de Bolonha" e de que é preciso lidar com a [presente] situação como que não haja [nenhuma outra] alternativa possível.
Desde logo, todo o Seminário se pautou por um discurso muito técnico e histórico que não trouxe respostas, mas se calhar dava uma boa aula de Introdução de "dizer-nada-a-falar-muito". Quando [foi] perguntado aos oradores [do Seminário] sobre os cortes no financiamento [do Estado às instituições de Ensino Superior], ou sobre a sobrecarga de horários que se verifica nos cursos já "à Bolonhesa" na Universidade do Minho, todos [os oradores interpelados] se descartaram, chutando para canto com o velho refrão cantarolado: "isso é uma outra discussão que terá de ficar para outra altura". Nem os próprios representantes dos Sindicatos que oraram foram capazes também de responder às questões lançadas pela plateia.
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Se os oradores [do Seminário] não deram respostas, o movimento AGIR estava presente para clarificar todos os pontos necessários. Relembraram o que se está a passar neste momento na Universidade do Minho, por exemplo, os alunos de Sociologia perderam créditos de cadeiras já feitas e estiveram um mês sem aulas devido à confusão generalizada, os alunos de Direito estão a sofrer uma sobrecarga de horário brutal e já houve professores que foram despedidos (segundo a pró-reitora Irene Montenegro, isso não é verdade, o que acontece é que [esses professores] estão apenas a ser convidados a rescindir[em os seus] contratos). Mas o mais importante foi relembrar que "Bolonha" é um processo que visa facilitar a privatização do Ensino Superior, prosseguindo a estratégia mercantilizadora dos serviços públicos como acontece nos Estados Unidos [da América]; favorecer as instituições e economias dos principais centros económico-financeiros europeus; elitizar o acesso aos mais elevados graus de ensino, reproduzindo e acentuando (através da desigual distribuição de conhecimento entre os que podem pagar [pelos estudos] e os que não o podem fazer) as graves desigualdades sociais; criar trabalhadores mais baratos, aumentar a exploração, sendo a aquisição do conhecimento responsabilidade do trabalhador e não um direito de todos.

Sobre este «Seminário Nacional sobre o Processo de Bolonha» pode ler-se uma notícia do «Correio do Minho».

Alunos da Universidade do Minho não têm opinião formada sobre Bolonha

Os membros do movimento AGIR acreditam que os alunos da Universidade do Minho não estão suficientemente informados sobre o processo de Bolonha.

Para Vítor Cunha, um aluno ligado a este movimento “até agora ainda não houve o cuidado de se informar os estudantes com clareza” que “ainda não dominam o processo de Bolonha e não têm uma opinião formada sobre o mesmo”. Em alguns cursos há disciplinas que já foram feitas e não vão entrar no novo currículo, o que é gravíssimo, pois “se ontem o curso era válido com aquele currículo, hoje não pode deixar de ter validade”, continua.

Outra questão que une os estudantes é o “financiamento do segundo ciclo". "O Governo afirma que continuará a ajudar o custeamento do segundo ciclo, mas de forma diferenciada”., o que para Marco Gaspar, do AGIR, significa “que vamos ter cursos e alunos de primeira e cursos e alunos de segunda”.

O estudante acrescenta que “se muitos alunos já desistiram com o aumento de propinas para 900€, só o agravamento das propinas, que também irá ocorrer no primeiro ciclo, expulsará muitos mais alunos”.

Alunos e docentes saem prejudicados com Processo de Bolonha

“A própria Universidade e o Governo vão gerar uma concorrência desleal, com alunos que entraram mais tarde e devido ao processo de Bolonha vão sair antes dos alunos que têm o modelo antigo”, acrescenta Vítor Cunha, para além das “perdas de crédito nos planos de transição” e do “tempo investido”.

Com a implementação de Bolonha, “o aluno vai ter menos tempo de aulas ministeriais e uma pressão muito maior para estudar por ele mesmo. Pedir aos alunos que de um ano para outro sejam autónomos nos estudos é uma utopia” alerta Cunha.

Os lugares dos professores também vão ser postos em causa. Dos docentes universitários, 80% estão contratados a prazo e, segundo Gaspar “muitos deles nem vão ser despedidos mas obrigados a despedirem-se porque o ensino superior só vai ser leccionado por doutorados”.

“Os docentes que forem para a rua nem sequer vão ter direito ao subsídio de desemprego”, afirmou. Os professores não se têm manifestado, pois sobre eles “paira o fantasma do despedimento”.

Movimento de intervenção

O AGIR é um movimento de intervenção cívica, formado por um conjunto de alunos da Universidade do Minho, que neste momento se debruçam sobre a implementação do Processo de Bolonha. A opinião de cada um é respeitada, não falam a uma só voz e o que querem essencialmente é discutir.

As suas acções passavam, em primeiro lugar, pela informação e, em segundo, em levá-las para a RGA, de forma a serem coordenadas com a Associação Académica.

Mas “a assembleia rejeitou as suas moções” e rejeitou um acto de protesto europeu para o dia 11 de Maio”, lembra Marco Gaspar. Para além disto, “não quiseram marcar uma nova RGA para a discussão de Bolonha em Braga”. Isto depois de no dia 2 de Maio se ter realizado uma RGA em Guimarães sobre o processo de Bolonha.

“Mas no dia 1 de Maio ainda não havia avisos em Guimarães que ia haver uma RGA e só no próprio dia de manhã é que os colocaram”, acusa. “Em Braga havia avisos a notificarem a RGA mas não havia transporte grátis para Guimarães”, o que “parece estranho” na opinião deste aluno.

“A RGA em Guimarães realizou-se numa sala minúscula, onde não estava quase ninguém para as moções do AGIR não serem aprovadas”. Contudo, Marco Gaspar salienta que “os alunos de Guimarães tem tanto direito de discutir Bolonha como nós, mas a verdade é que a maior parte dos cursos afectados estão em Braga”.

Vítor Cunha alerta para a urgência de se realizarem muitas mais RGA para em “informar as pessoas e depois levá-las a discutir”. Acrescenta que “a associação académica deveria ser a primeira a promover o debate e a mobilizar os alunos”.

Notícia retirada do portal ComUM Online, projecto jornalístico do Grupo dos Alunos de Comunicação Social da Universidade do Minho.

22 setembro 2006

AAUM cria petição que nunca funcionou

Há pelo menos dois meses que a AAUM (Associação Académica da Universidade do Minho) criou uma petição, que pode ser lida em baixo, que nunca funcionou. Esta foi a forma que AAUM arranjou para lutar por uma moção apresentada pelo AGIR e aprovada em RGA (Reunião Geral de Alunos) a 9 de Maio de 2006. Isto só demonstra o interesse da AAUM na defesa dos direitos dos estudantes da Universidade do Minho. A linda retórica apresentada na petição é apenas areia para os olhos dos alunos...

Moção proposta pelo AGIR e aprovada na RGA de 9 de Maio 2006
Considerando que:

1. Mais de 1000 alunos já abandonaram a nossa universidade devido ao valor actual das propinas(afirmado pelo nosso Reitor) e que o Processo de Bolonha agravará esta situação.

2. Que Bolonha levará ainda mais à elitização do Ensino Superior pondo em causa a formação social,cívica e profissional dos jovens.

3. Os cursos serão reestruturados sem ter em conta o percurso académico percorrido até agora por cada um de nós, levando mesmo à perda de créditos já garantidos.

4. Este processo tornar-nos-á mais precários no trabalho, sujeitos a salários baixos e a cargas horárias superiores.

5. O ensino e a educação é um bem e um direito de todos e que a todos deve ser facultado, aliás, como consagra, e bem, a nossa Constituição.

Assim, aos 9 dias do mês de Maio de 2006, a Associação Académica da Universidade do Minho reunida em Reunião Geral de Alunos toma a seguinte posição pública, nomeadamente perante o Governo, a reitoria e a imprensa.O Processo de Bolonha encerra um sem número de preocupações e problemas sobre os quais o Governo e a Reitoria ainda não esclareceram, assim queremos garantir:
- que nenhum aluno perderá os créditos das disciplinas já realizadas;
- que não haverá aumentos de propinas, nem para o 1º Ciclo nem para o 2º Ciclo;
- que o Estado financie os dois ciclos;- que não existam numerus clausus (vagas) entre o 1º e o 2º Ciclo;
- que aos alunos que terminem a actual licenciatura, lhes seja conferido o grau equivalente ao 2º Ciclo.

Petição

Analisando o Estado actual do nosso país sobre os vários domínios, fácil é perceber que algo está mal e é urgente corrigir. O Ensino Superior é uma das esferas onde é necessária uma intervenção rápida para que o futuro de milhares de estudantes, como homens e mulheres e herdeiros deste país não seja posto em perigo.Compreendemos que não é fácil agir perante condições tão adversas, pensamos que é possível melhorar tornando o Ensino Superior Português, um ensino de e com qualidade.Assim, vimos por este meio reclamar algumas das nossas bandeiras que acreditamos que postas em prática farão o Ensino Superior Português cada vez melhor:
• Ensino Superior baseado nos princípios da qualificação e do saber;
• Maior orçamentação do Ensino Superior;
• Diminuição da excessiva comparticipação devida pelo estudante para frequentar o Ensino Superior;
• Financiamento integral dos 2 ciclos de estudos à luz do Processo de Bolonha;
• Melhor e mais abrangente Acção Social escolar nos 2 ciclos de estudos;
• Eliminação do actual regime de prescrições sem que estejam encontradas as razões do insucesso escolar;
• Avaliação sistemática dos docentes das várias instituições;
• Avaliação rigorosa da qualidade das várias instituições;
• Maior empenho pela integração dos licenciados no mercado de trabalho.

21 setembro 2006

Blue Man Group on Global Warming

A vossa atenção, por favor! Obrigado por ter escolhido a Terra para ser o seu veiculo planetário. Esperamos que desfrute das características maravilhosas deste planeta, enquanto vagueia pelo cosmos. No entanto, caso a inacção face ao aquecimento global continue, o seu sofá pode ser usado como um dispositivo de flutuação. Por favor tente localizar as saídas de emergência deste planeta. Como pode observar, não existem nenhumas!

Parabéns colega!

Este é o desejo maior que te queremos exprimir agora que entraste na universidade, mas não o podemos fazer sem te falar das inúmeras dificuldades que envenenam o ensino superior actual. Sabemos do sentimento de bem-estar que te abarca neste momento, chegaste a um patamar de ensino que te traz ideias de perspectivas melhores para a tua formação e vida futura. Sabemos da alegria dos teus pais, amigos ou familiares pela tua chegada à universidade. Todos nós passámos pelo mesmo mas a realidade é mais difícil e precisa de todos na luta por aquilo que neste dia imaginamos ser a universidade: um espaço de liberdade, conhecimento, saber, formação cívica e convívio. A universidade não existe por si mesmo é, ou deveria ser, construída por todos e todas que nela participam, estudantes, professores e funcionários. Tu não podes nem te abster nem te sentir retraído ou afastado, a partir de hoje és estudante da Universidade do Minho em toda a sua plenitude e direito, e como tal deves assumir o teu papel na melhoria do ensino superior no nosso país. A tua opinião e participação são necessárias, obrigatórias e fundamentais para a melhoria do nosso ensino.

Quem somos?

O AGIR é um agrupamento de estudantes que não se contentam com o estado que o rumo do ensino tem tomado nos últimos anos, que não aceita a apatia generalizada, que não aceita a elitização do ensino superior e do seu acesso, que luta por um ensino superior público, universal, gratuito e de qualidade. Queremos uma universidade empenhada na construção da sociedade e não virada apenas para os seus departamentos e escolas, a universidade é parte da sociedade e da população e deve participar nela de forma solidária e colaborativa. O AGIR convida a ti e a todos os que sintam esta luta a entrarem em contacto connosco seja através de quem vos entregar um dos nossos panfletos seja através do nosso e-mail.

27 abril 2006

Já ouviste falar em “Bolonha”? Sabes como o “Processo de Bolonha” vai afectar o teu curso? E o ensino superior?



Por exemplo, a maioria dos cursos vão reduzir o número de anos do diploma isto é, no geral, vais ter uma formação menor e sairás para o mundo do trabalho com o teu diploma a valer menos, passará a existir um 1º ciclo de 3 anos e um 2º ciclo com dois anos que no final serão equivalentes à nossa actual licenciatura. Só que o 2º ciclo custará bastante mais por ano que as propinas actuais, que já de si são elevadíssimas, isto porque deixa de existir financiamento público. Repara no seguinte:

Actualmente
900 Euros /Ano
Licenciatura 5 ou 4+1 anos

Com Bolonha
900 Euros/Ano + Pelo Menos 1500 Euros/Ano
Licenciatura (1ºciclo) 3 anos + Mestrado (2ºCiclo) 2 anos


Querem-nos enganar com dois mitos.
Primeiro: de que teremos a licenciatura em menos tempo.
Segundo: de que teremos um mestrado ao fim de 5 anos. Contudo, o mercado de trabalho não valorizará essa licenciatura e os empregadores só contratarão quem possuir o 2ºCiclo concluído. Assim o mestrado equivalerá em número de anos à nossa actual licenciatura. Então porquê esta alteração? Simples, o Estado reduz o seu orçamento no ensino superior responsabilizando os estudantes e suas famílias pelo financiamento quase integral do percurso académico. Na verdade, só completará os dois ciclos quem tiver capacidade económica. Já não bastam as propinas actuais que obrigaram cerca de 1500 colegas nossos a abandonar a universidade, isto sem contar com aqueles que puseram de parte o ingresso no ensino superior.

As oportunidades de emprego serão mais escassas com um diploma de 1º ciclo que não nos servirá de muito. Aliás, as ordens dos advogados, arquitectos, médicos e engenheiros já vieram a público avisar que só quem tiver os dois ciclos poderá exercer estas profissões.

Bolonha trará também um novo sistema de créditos e de métodos de avaliação que vão levar à reestruturação de cursos de uma forma leviana e a aumentar a carga de trabalho até mais de 40 horas por semana. E como irão fazer os trabalhadores-estudantes ou aqueles que dependem de part-times para o seu sustento? Como podem organizar o seu calendário? A lógica dirá que o caminho passará por abandonar a universidade. Não será descabido dizer então, que o ensino caminha para uma lógica de mercado subordinado ás directrizes das grandes empresas, cujo o objectivo é o máximo lucro, quando o ensino pelos princípios constitucionais deve ser um direito inalienável, a que todos devem ter acesso. Um ensino verdadeiramente superior e universal não é decididamente, um ensino pautado pela lógica mercantilista.

Bolonha traz ainda muitos mais problemas! Mas o Governo e a Reitoria fazem tudo para esconderem o que se está a passar, permitindo que o processo de Bolonha entre em vigor já no próximo ano.
E a Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) está à espera de quê? Porque não informa e reúne os estudantes? Não foram eleitos para os defender?

QUE FAZER?

  • Informa-te e exige informação junto da secretaria e dos serviços da reitoria.
  • Pergunta ao teu delegado de turma quando é que vão haver reuniões para discutir a reestruturação do teu curso e faz o mesmo junto do director de curso. Se não estiverem previstas EXIGE que se façam!
  • Pressionemos a AAUM para que se façam reuniões gerais dos alunos (RGA) para discutirmos Bolonha.

O AGIR está cá para lutar para barrar, fazer retroceder ou minimizar o processo de Bolonha, NÃO TE CONFORMES, JUNTA-TE E CONTACTA-NOS!

Email: agir.uminho@gmail.com
Telefones: 965415206 – 916490005
Ou fala com a pessoa que te
entregar um panfleto do AGIR

17 janeiro 2006

Propinas e Presidenciais




A lei das propinas afecta directamente todos os alunos do ensino superior e seus familiares.
É uma lei que garante o aumento das propinas todos os anos, segundo actualização de uma lei de 1940(!?).
É por isso, e segundo a alínea "e" do ponto "2" do artigo 74 da constituição, uma Lei inconstitucional.

Em periodo de eleições presidênciais, é da responsabilidade de todos nós (estudantes) votarmos em quem sabemos que irá para lá, acima de tudo, fazer respeitar a constituição. E há pelo menos dois candidatos que certamente (pelos exemplos passados) não a respeitarão.
Cavaco porque quando foi primeiro-ministro propôs esta lei incostitucional. E Mário Soares porque como Presidente da Républica a aprovou.