27 abril 2006

Já ouviste falar em “Bolonha”? Sabes como o “Processo de Bolonha” vai afectar o teu curso? E o ensino superior?



Por exemplo, a maioria dos cursos vão reduzir o número de anos do diploma isto é, no geral, vais ter uma formação menor e sairás para o mundo do trabalho com o teu diploma a valer menos, passará a existir um 1º ciclo de 3 anos e um 2º ciclo com dois anos que no final serão equivalentes à nossa actual licenciatura. Só que o 2º ciclo custará bastante mais por ano que as propinas actuais, que já de si são elevadíssimas, isto porque deixa de existir financiamento público. Repara no seguinte:

Actualmente
900 Euros /Ano
Licenciatura 5 ou 4+1 anos

Com Bolonha
900 Euros/Ano + Pelo Menos 1500 Euros/Ano
Licenciatura (1ºciclo) 3 anos + Mestrado (2ºCiclo) 2 anos


Querem-nos enganar com dois mitos.
Primeiro: de que teremos a licenciatura em menos tempo.
Segundo: de que teremos um mestrado ao fim de 5 anos. Contudo, o mercado de trabalho não valorizará essa licenciatura e os empregadores só contratarão quem possuir o 2ºCiclo concluído. Assim o mestrado equivalerá em número de anos à nossa actual licenciatura. Então porquê esta alteração? Simples, o Estado reduz o seu orçamento no ensino superior responsabilizando os estudantes e suas famílias pelo financiamento quase integral do percurso académico. Na verdade, só completará os dois ciclos quem tiver capacidade económica. Já não bastam as propinas actuais que obrigaram cerca de 1500 colegas nossos a abandonar a universidade, isto sem contar com aqueles que puseram de parte o ingresso no ensino superior.

As oportunidades de emprego serão mais escassas com um diploma de 1º ciclo que não nos servirá de muito. Aliás, as ordens dos advogados, arquitectos, médicos e engenheiros já vieram a público avisar que só quem tiver os dois ciclos poderá exercer estas profissões.

Bolonha trará também um novo sistema de créditos e de métodos de avaliação que vão levar à reestruturação de cursos de uma forma leviana e a aumentar a carga de trabalho até mais de 40 horas por semana. E como irão fazer os trabalhadores-estudantes ou aqueles que dependem de part-times para o seu sustento? Como podem organizar o seu calendário? A lógica dirá que o caminho passará por abandonar a universidade. Não será descabido dizer então, que o ensino caminha para uma lógica de mercado subordinado ás directrizes das grandes empresas, cujo o objectivo é o máximo lucro, quando o ensino pelos princípios constitucionais deve ser um direito inalienável, a que todos devem ter acesso. Um ensino verdadeiramente superior e universal não é decididamente, um ensino pautado pela lógica mercantilista.

Bolonha traz ainda muitos mais problemas! Mas o Governo e a Reitoria fazem tudo para esconderem o que se está a passar, permitindo que o processo de Bolonha entre em vigor já no próximo ano.
E a Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) está à espera de quê? Porque não informa e reúne os estudantes? Não foram eleitos para os defender?

QUE FAZER?

  • Informa-te e exige informação junto da secretaria e dos serviços da reitoria.
  • Pergunta ao teu delegado de turma quando é que vão haver reuniões para discutir a reestruturação do teu curso e faz o mesmo junto do director de curso. Se não estiverem previstas EXIGE que se façam!
  • Pressionemos a AAUM para que se façam reuniões gerais dos alunos (RGA) para discutirmos Bolonha.

O AGIR está cá para lutar para barrar, fazer retroceder ou minimizar o processo de Bolonha, NÃO TE CONFORMES, JUNTA-TE E CONTACTA-NOS!

Email: agir.uminho@gmail.com
Telefones: 965415206 – 916490005
Ou fala com a pessoa que te
entregar um panfleto do AGIR

5 comentários:

Anónimo disse...

Antes de mais, gostaria de dar os meus sinceros parabéns a esta iniciativa. Aplaudo todas as acções que contribuam para diminuir o marasmo intelectual e cultural em que esta universidade e os estudantes em geral se colocam.
Contudo, tenho por habito não acreditar em tudo o que leio, pelo que faço umas ligeiras correcções ao vosso comunicado.
Por isso…
Tive a oportunidade de discutir Bolonha com o ministro que tutela a área. O mesmo disse que o apoio do estado para com o estudante no ensino superior é de cerca de 85% do custo total. Pessoalmente não faço ideia desse “custo total” ou médio ou o que quer que seja, mas…
Acrescentou de igual modo, que o financiamento será igual, quer no 1º quer no 2º ciclo. O que me faz pensar. Se somos financiados a 85% no primeiro ciclo e a 85% no segundo, porque pago eu propinas diferenciadas? Boa pergunta. A resposta, penso eu, é que, se há um limite máximo de propina para o 1º ciclo, o mesmo não há para o 2º. Logo, as universidades, desesperadas por dinheiro, fazem do 2 ciclo uma oportunidade para realizar mais valias financeiras, e cobram aquilo que quiserem, porque estão ao abrigo da autonomia das universidades.
Se o que o ministro disse é verdade, e eu não sei, mas foi dito na minha cara pelo próprio, quem anda a lucrar com Bolonha são as universidades, à custa é claro, dos bolsos dos alunos.

Pessoalmente, devo acrescentar, não estou contra Bolonha nem a tudo o que vem da Europa como parte dos nossos amigos do PC. Agora, considero é que Bolonha é uma oportunidade… perdida neste caso e segundo este modelo.

Já agora, estou a dinamizar uma sessão de esclarecimento acerca de Bolonha em Geografia, curso a que pertenço. Gostaria de saber qual a possibilidade de poderem participar neste debate, que é aberto a toda a comunidade.

Forte abraço, e um apelo para que o vosso esforço não esmoreça, mas que seja igualmente canalizado de uma forma construtiva.

Alexandre Simões
Telm. 917025289



“não quero fazer parte deste problema…quero fazer parte desta solução”

Eduarda Sousa disse...

Olá,

Sou estudante de Comunicação Social na Universidade do Minho e gostava de fazer uma reportagem sobre o vosso movimento para o http://comumonline.net Este é um jornal digital mantido pelos alunos de CS que tenta dar destaque aos acontecimentos que se passam na universidade do minho

Enviei email para agir.uminho@gmail.com

aguardo resposta

Eduarda Sousa

Eduarda Sousa disse...

Artigo já saiu no Comum, aqui:

http://www.comumonline.net/noticia.asp?id=835

Marta Garcia disse...

Hoje, ao entrar na cantina da nossa universidade foi-me dado um panfleto, o vosso panfleto. A ideia pareceu-me interessante e aplaudo o esforço que têm realizado no sentido de exercer pressão e demonstrar o descontentamento estudantil. Contudo, a ideia deixou de me parecer tão interssante à medida que fui lendo os vossos "artigos".

Antes de passar à explicação, e para que não seja mal interpretado o que aqui possa dizer, apresento-me. Sou Marta Garcia, delegada do 3º ano de LEA, presidente do núcleo do curso anteriormente referido, fui candidata a um cargo para a direcção na lista concorrente para a AAUM e mais recentemente fui eleita para representante dos delegados para trabalhar na comissão por vocês proposta na última RGA. Não sou propriamente adepta do Processo de Bolonha, mas uma vez que este está aprovado, creio que devemos tirar melhor partido dele e, para isso, é de extrema importância que os estudantes estejam interessados e participem activamente nas alterações que estão a decorrer.

Após esta apresentação, passo a explicar o que me levou a ficar descontente com o que vi escrito:
* Acompanhei com algum interesse as eleições para a reitoria e queria fazer-vos uma pergunta: Como podem vocês afirmar que o Reitor (que no debate deixou de ser o Reitor para ser um dos candidatos) impôs que no debate a plateia não poderia colocar questões?
* Tanto quanto me parece, posso estar errada e corrijam-me se tal se verificar, a partir do momento em que são realizadas eleições, seja para que orgão for, e NÓS que votámos, decidimos quem nos representaria melhor, estamos à espera que essas pessoas tomem, mais uma vez, por NÓS, as decisões mais acertadas. Que seria de um governo se a cada passo que tivesse de dar, fosse consultar cada pessoa? avançavamos? Seriam tomadas medidas? Chegariamos a algum lado ou iamos passar os mandatos a questionar-nos sobre o que fazer? Se elegemos alguém para um determinado cargo é porque nos identificamos com os valores e ideias que representa, é a pessoa que deve saber a opinião geral daqueles que o escolheram. Se a pessoa que escolheste não cumpre com o que era suposto, lembrem-se que têm uma cota parte de culpa. Afinal, são eleitos por NÓS.(Assumo que tenham votado para a AAUM e para os REOGUM.)
*Concordo plenamente com o facto de que devemos construir um ensino melhor e que não exclua ninguém. (Não achamos achamos todos isso?)

De seguida, temos o "Admirável Mundo Novo"... e eu fiquei admirada com o facto de ser possível ter uma ideia e, depois uma opinião, tão superficial das alterações introduzidas por Bolonha. De qualquer modo, aqui, pretendo ser breve.
*tele-estudo? Menos conhecimentos? Quantos de nós não se queixam de uma carga horária excessiva? De falta de tempo para realizar trabalhos? de falta de tempo para ter uma vida própria? Aparentemente, melhor do que ter liberdade para adaptar o horário de estudo cada um ao seu próprio ritmo, é passar 8 horas dentro de um edifício, a mudar de sala, ouvir aquele prof que até divaga um bocado e não falou nada da matéria e chegar a casa sem vontade de preparar as aulas ou adiantar os trabalhos que têm de ser entregues em tal data. A redução de uma carga horária presencial implica, necessariamente, horas de estudo do aluno fora da universidade.
Não vos parece que a falta de competências irá depender um pouco de cada um? As aulas serão dadas, a matéria exposta, os professores passam a estar "disponíveis" fora do horário de atendimento no gabinete, a resposta poderá estar à distancia de um clique e o aluno terá maior liberdade para gerir o seu tempo... Parece-vos mal?
*A decisão de fazer apenas o primeiro ciclo é da responsabilidade de cada um... à partida, uma das lutas (da AAUM, para quem não sabe) é assegurar que quem conclui o primeiro ciclo possa fazer o segundo. Aqui entramos nós...

Passando ao artigo seguinte.
Desinformação? Onde raio andaram vocês durante este tempo? (Interrogo-me se o vosso movimento escolheu o melhor timing para começar a falar...Sabem que se tem falado de Bolonha desde o início do 1º semestre? Altura em que a nossa opinião era mais importante... mas não, agora é que vamos lutar contra o que já se tornou certo. As manifestações são sempre um agradável momento de convívio.)

Para que o comment em relação ao panfleto não se torne ainda mais extenso termino com esta questão: a AAUM está mesmo assim tão parada? Desafio-vos a provar-me isso.

Bolonha? Se já ouvi falar em Bolonha? Este ano Bolonha tem estado no centro das atenções de toda a gente... Mas, vamos levantar o debate e pensar nas questões que todo este processo suscita.
___________,,___________

"Com Bolonha
900 Euros/Ano + Pelo Menos 1500 Euros/Ano
Licenciatura (1ºciclo) 3 anos + Mestrado (2ºCiclo) 2 anos"

Ao ver a informação que me dão questiono-me, como sabem vocês que as propinas do segundo ciclo serão aquelas dado que ainda não se sabe como este vai funcionar? Estamos a atirar um bocadinho no escuro não estamos? Apesar disso, há quem continue a trabalhar para que possam ser mais certeiros.

"As oportunidades de emprego serão mais escassas com um diploma de 1º ciclo que não nos servirá de muito. Aliás, as ordens dos advogados, arquitectos, médicos e engenheiros já vieram a público avisar que só quem tiver os dois ciclos poderá exercer estas profissões."
Creio que sabem que nestes casos existem os mestrados integrados?

"* Informa-te e exige informação junto da secretaria e dos serviços da reitoria."
Cada curso tem a sua especificidade, se os alunos de facto querem obter informação, a meu ver, devem dirigir-se primeiro à respectiva escola, à direcção de curso, onde a informação será mais concreta.

"* Pergunta ao teu delegado de turma quando é que vão haver reuniões para discutir a reestruturação do teu curso e faz o mesmo junto do director de curso. Se não estiverem previstas EXIGE que se façam!"
Foram enviadas já cerca de trinta propostas de reestruturação para a tutela e catorze destas já foram aprovadas. O delegado é eleito para representar os colegas, logo, tem de estar presente nas reuniões para as quais foi convocado. Este ano, houve inúmeras reuniões nas quais os delegados deviam estar presentes para discutir com as respectivas direcções de curso a reestruturação e o processo de transição. Logicamente, o delegado tem de veicular a informação.
Houve ainda, outras tantas formações e reuniões de delegados convocadas pelo departamento pedagógico da AAUM, no sentido de informar, através dos delegados, a comunidade académica. A informação não passou? A culpa é de quem? Nossa porque escolhemos o representante errado!

"* Pressionemos a AAUM para que se façam reuniões gerais dos alunos (RGA) para discutirmos Bolonha."
ao fim de todos os comentários a cima tecidos será mesmo preciso repetir-me?

Acho que a comunidade académica deve ser mobilizada, mas para isso a informação que passa tem de ser correcta e fornecida atempadamente. O sentido da vossa "campanha" contra o trabalho de quem até está interessado e tem feito algo para defender os direitos dos estudantes, deixa-me largamente descontente. Está a criar-se uma divisão da academia e não se está a trabalhar em conjunto para criar melhores soluções. Temos de cooperar.

Em jeito de conclusão, não sonhamos todos com uma sociedade mais justa, em que todos têm os mesmos direitos e regalias? Deixemos o plano do utópico e passemos a sujar as mãos para melhorar a realidade que nos rodeia. A sociedade só será perfeita se NÓS o quisermos.

Marta Garcia disse...

Esta tarde quando enviei o meu comment não me apercebi de uma imprecisão. Quero desta forma rectificar o meu erro:
Direito não têm mestrado integrado, contudo se visitarem http://www.delegado.aaum.pt/Documentos/Bolonha_docs_cac/Direito%20DI.pdf
podem verificar, na página 4 do documento, que está garantido o ingresso dos licenciados na Ordem dos Advogados.
Também na página do delegado podem consultar as propostas que foram enviadas para a DGES.